"Violeta"

Um dia estava sentada na sala assistindo TV e o meu companheiro chegou em casa da aula de saxofone: "amor, já sei qual vai ser o nome da nossa filha". A gente nem ia ter uma filha, nem pensávamos em ter filhos, então só ri da cara dele. Mas me apaixonei de cara: Violeta (a inspiração foi a Violeta Parra, cantora e compositora - e muito mais - chilena). Era um nome que eu daria pra uma filha se um dia pensasse em ter. Se passaram algumas semanas, eu comecei a sentir muito enjôo, achei que era da gastrite, mas depois de umas três semanas enjoando e quase sem conseguir manter minha corrida diária, desconfiei e cheguei em casa com um teste de farmácia. Dessa vez foi ele que riu da minha cara. Deu positivo. Ele foi até a farmácia comprar outro, que mostrava aproximadamente quantas semanas: 3 ou mais...

Foi uma loucura. A gente sabia que isso poderia acontecer, afinal tinha parado de tomar pílula fazia mais de seis meses e camisinha não era nosso forte, mas não foi algo totalmente planejado. Mas quando a gente decidiu que iríamos levar a gravidez adiante, nos jogamos de cabeça. Parto humanizado, amamentação, educação,  alimentação... fomos assistir documentários, ler e conhecer esse novo mundo.
Como militante revolucionária que sou desde os 18 anos, impossível uma coisa tão transformadora como uma gestação não se expressar nas minhas reflexões políticas. Então, para minha estreia nesse blog, reproduzo um pequeno texto que escrevi na reta final da gestação e que foi muito significativo dessa decisão de ser mãe que mudou a minha vida.


01/12/2016

Essa sou eu grávida de 37 semanas, esperando ansiosa o nascimento da minha primeira filha, Violeta. Agora estou com 41 semanas e me emociono todos os dias ao pensar que daqui a pouco ela estará comigo.
Violeta não foi planejada, mas também não foi totalmente acidental. 
Muitos fatores me levaram a tomar a decisão de levar essa gestação adiante, mas o que importa é que foi minha decisão e foi respeitada por todos à minha volta. Posso me lembrar de muitos momentos da minha vida em que poderia ter tomado uma decisão diferente, e o apoio de todos teria sido igualmente importante. Tenho amigas que tiveram que tomar essa difícil decisão e optaram por não ter um bebê por diversos motivos. Tenho outras amigas que optaram por ter. Respeito a decisão de cada uma delas, como elas respeitaram a minha.
Essa sociedade não nos dá o direito de viver plenamente, de criar nossos filhos plenamente. Por isso lutamos pelo direito a maternidade, por educação, saúde, transporte, moradia, por restaurantes, creches e lavanderias públicas, e todas as condições para criar nossos filhos se assim o decidirmos. Mas também lutamos pelo direito de escolha, que as mulheres possam decidir sobre seu corpo. Além de tudo, a legalização do aborto é uma questão de saúde pública, pois não podemos permitir que mulheres continuem morrendo quando isso pode ser impedido.
Eu luto para que minha filha possa decidir se quer e quando quer ser mãe. Eu luto pelo direito ao nosso corpo, ao nosso parto, à maternidade plena, à legalização do aborto!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lutos incômodos

Com medo mesmo