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"Esse ano eu não morro"

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  Foi numa terça de carnaval que eu morri. E desde então morro um pouco todos os anos. E mesmo parcialmente morta, vivi. Chorei, gargalhei, odiei, sofri e amei. Senti. Renasci. E desde então morri mais um pouco. Me perdi e me encontrei, reencontrei e desencontrei. Emergi e submergi. E desde então mergulhei fundo - como sempre, fundo demais - no limite de me afogar. Eu pari a tempestade e o arco-íris: eu controlei o tempo. Escalei a montanha mais alta, cheguei na beirada do abismo, e retrocedi. Nada mais pode me matar. "Esse ano eu não morro"